25.9.08

ESCOLHA DE ADMINISTRADORES DE EMPRESAS E GOVERNANTES

Tomaz de Aquino
Faculdade de Direito da UFMG
Direito Empresarial - Prof. Osmar Brina Corrêa-Lima
Este texto, extraído do sítio http://www.obcl.com.br/ destina-se, exclusivamente , aos meus alunos. Tem fins exclusivamente didáticos. Não substitui - apenas complementa – uma aula. Nas mãos de terceiros, e descontextualizado, ele poderá não fazer sentido, ser mal compreendido e erroneamente interpretado.

Ser e Dever Ser...
Escolha de administradores de sociedades empresárias e escolha de governantes: - alguma relação?
No livro A Educação segundo a Filosofia Perene1, no Cap. IX.11 (A escolha do governante), lê-se o seguinte:
"IX.11 - A escolha do governante. Conforme dissemos, a Monarquia que o Comentário à Política aponta como o regime perfeito nada tem a ver com a formação de uma casa real ou com o poder hereditário. Na sociedade organizada tendo a virtude como fim, o governante deve ser ´escolhido por eleição e não por sucessão; apenas acidentalmente o governante poderia ser melhor escolhido por sucessão hereditária.
De fato, geralmente o melhor é mais facilmente encontrado dentro da multidão do que ser alguém já determinado; ademais, a eleição é um ato de vontade determinado pela razão".

Com isso o Comentário dá a entender que na sociedade voltada para a virtude o governante deve ser escolhido, isto é, eleito, e não receber o governo por hereditariedade. Mas a concepção que S. Tomás de Aquino e o Comentário à Política fazem do modo de proceder a esta eleição é totalmente diferente das eleições democráticas. Nas democracias modernas os candidatos
interessados em governar fazem campanha para convencerem os eleitores de que são as pessoas mais aptas para o governo. Para Tomás de Aquino e os filósofos gregos, entretanto, em uma sociedade voltada para a virtude não poderia haver incoerência maior do que esta. Já vimos no capítulo III e no capítulo VI deste trabalho afirmações de Platão segundo as quais os homens sábios e de virtude não desejam o governo, e mais devem ser forçados a aceitá-lo do que se esperar que o façam espontaneamente. Na Summa Theologiae diz também S. Tomás de Aquino
que não é sinal de sabedoria, mas de ´presunção, que alguém deseje colocar-se acima dos outros para que lhes possa fazer o bem.
Por estes motivos, é de se esperar que numa sociedade perfeita nenhum governante se ofereça para qualquer cargo; muito menos que faça campanha para convencer aos outros de que ele é o melhor; ao contrário, o que é de se esperar é que, na maioria das vezes, sequer desejem o
governo. Mas, afirma o Comentário à Política, não é por isso que ele deixará de governar: 'Se alguém for digno de governar', afirma o Comentário à Política, 'deve assumir o cargo, quer queira, quer não queira, porque o bem comum deve ser preferido à vontade própria'.