Guggenheim sai e Furtado assume Greenpeace no Brasil
Daniela Chiaretti
Valor Econômico
02.06.2008
O engenheiro químico Marcelo Furtado é o novo diretor-executivo do Greenpeace Brasil. O médico suíço Frank Guggenheim, 58 anos, que esteve no cargo desde 2002, desliga-se da ONG no fim do mês, assim que terminarem suas férias. Parte então rumo à Amazônia. "Inicialmente vou trabalhar na região do Tapajós", adianta. Furtado volta hoje ao escritório depois de uma viagem a Paris para uma reunião interna sobre governança. Assume oficialmente em julho.
O escritório do Greenpeace no Brasil é uma unidade pequena caminhando para média, de uma das ONGs mais influentes do mundo. São R$ 10 milhões de orçamento, 36 mil colaboradores e uma equipe de 55 pessoas em São Paulo, Manaus e Brasília. Os recursos vêm sempre dos colaboradores ou de fundações não ligadas a empresas ou governos. No Brasil, as campanhas focam a preservação da Amazônia, a resistência às usinas nucleares, o incentivo do uso de fontes de energia renováveis ou a desconfiança total na introdução dos transgênicos no campo.
Foi na gestão de Guggenheim que o Greenpeace conduziu uma de suas campanhas mais bem-sucedidas - a da moratória da soja em 2006, um compromisso firmado entre ONGs e representantes do setor de não comercializar soja de áreas desmatadas dentro da Amazônia. Uma meta ambiciosa para o futuro da floresta foi lançada em 2007 em conjunto com outras entidades, o chamado "desmatamento zero" até 2015, com investimentos de R$ 1 bilhão ao ano. O objetivo surgiu de um estudo de qual seria o lucro líquido de desmatar e quanto se deveria pagar para que a floresta ficasse em pé.
O médico assumiu o escritório brasileiro do Greenpeace deixando o laboratório Roche. Era o fim do governo FHC, a fase das grandes expectativas com o governo Lula. "É preciso dizer que este foi o governo que mais áreas protegidas criou, inclusive em regiões de conflito", anota. "O problema é que o modelo de desenvolvimento do presidente Lula é do tipo sindicalista-anos 70, de quanto mais chaminé, melhor. É uma visão absolutamente retrógrada que não corresponde ao século 21", alfineta.
O processo de substituição a Guggenheim começou em janeiro, quando o médico manifestou sua intenção de clinicar na Amazônia. Inicialmente ele ficará com a ONG Saúde & Alegria, há mais de 20 anos na região. "Tenho dificuldade em entender porque jovens médicos, que entraram em faculdades públicas não estão dispostos a dar nada em troca, a passar dois ou três anos em uma zona tão carente do Brasil. Eu me irrito com isso, acho um pouco vergonhoso", registra.
Furtado está no Greenpeace há 18 anos. Passou por diversas funções em vários países, coordenou a campanha internacional contra o comércio do lixo tóxico e desde 2004 é o diretor de campanhas no Brasil. No processo de escolha do novo diretor-executivo, a ONG recebeu mais de 100 currículos.
Daniela Chiaretti
Valor Econômico
02.06.2008
O engenheiro químico Marcelo Furtado é o novo diretor-executivo do Greenpeace Brasil. O médico suíço Frank Guggenheim, 58 anos, que esteve no cargo desde 2002, desliga-se da ONG no fim do mês, assim que terminarem suas férias. Parte então rumo à Amazônia. "Inicialmente vou trabalhar na região do Tapajós", adianta. Furtado volta hoje ao escritório depois de uma viagem a Paris para uma reunião interna sobre governança. Assume oficialmente em julho.
O escritório do Greenpeace no Brasil é uma unidade pequena caminhando para média, de uma das ONGs mais influentes do mundo. São R$ 10 milhões de orçamento, 36 mil colaboradores e uma equipe de 55 pessoas em São Paulo, Manaus e Brasília. Os recursos vêm sempre dos colaboradores ou de fundações não ligadas a empresas ou governos. No Brasil, as campanhas focam a preservação da Amazônia, a resistência às usinas nucleares, o incentivo do uso de fontes de energia renováveis ou a desconfiança total na introdução dos transgênicos no campo.
Foi na gestão de Guggenheim que o Greenpeace conduziu uma de suas campanhas mais bem-sucedidas - a da moratória da soja em 2006, um compromisso firmado entre ONGs e representantes do setor de não comercializar soja de áreas desmatadas dentro da Amazônia. Uma meta ambiciosa para o futuro da floresta foi lançada em 2007 em conjunto com outras entidades, o chamado "desmatamento zero" até 2015, com investimentos de R$ 1 bilhão ao ano. O objetivo surgiu de um estudo de qual seria o lucro líquido de desmatar e quanto se deveria pagar para que a floresta ficasse em pé.
O médico assumiu o escritório brasileiro do Greenpeace deixando o laboratório Roche. Era o fim do governo FHC, a fase das grandes expectativas com o governo Lula. "É preciso dizer que este foi o governo que mais áreas protegidas criou, inclusive em regiões de conflito", anota. "O problema é que o modelo de desenvolvimento do presidente Lula é do tipo sindicalista-anos 70, de quanto mais chaminé, melhor. É uma visão absolutamente retrógrada que não corresponde ao século 21", alfineta.
O processo de substituição a Guggenheim começou em janeiro, quando o médico manifestou sua intenção de clinicar na Amazônia. Inicialmente ele ficará com a ONG Saúde & Alegria, há mais de 20 anos na região. "Tenho dificuldade em entender porque jovens médicos, que entraram em faculdades públicas não estão dispostos a dar nada em troca, a passar dois ou três anos em uma zona tão carente do Brasil. Eu me irrito com isso, acho um pouco vergonhoso", registra.
Furtado está no Greenpeace há 18 anos. Passou por diversas funções em vários países, coordenou a campanha internacional contra o comércio do lixo tóxico e desde 2004 é o diretor de campanhas no Brasil. No processo de escolha do novo diretor-executivo, a ONG recebeu mais de 100 currículos.
