3.2.08

MOC, UM POUCO DE HISTÓRIA...

GAZETA DO NORTE E REVISTA MONTES CLAROS...

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Nascimento/incorporação da Malhada dos Santos Reis à cidade de Montes Claros. Nosso amigo Lunga Tunga ainda não viera à luz. Anos mais tarde criaria o MAIADA NEWS, hebdomadário underground - nosso Village Voice - de sucesso na última década de 90 e que a muita gente incomodou...




Revista Montes Claros, nº 4, agosto de 1941



Nessa época, década de 40, Moc possuía 100 aparelhos telefônicos. Isso mesmo! Daí os números dos mesmos irem até 99... Você retirava o fone do gancho, vinha um sinal horrível, aí atendia a telefonista:
- Com quem deseja falar?
Assim mesmo, porque tanto fazia passar-lhe o número desejado como o nome do assinante - ela sabia todos de cor, e introduzia o cabo, ou plug, no ramal correspondente. E o sigilo? Bem, àquela época ninguém andava por aí fazendo falcatruas nem traficando drogas, mas muitas ligações perigosas acabariam descobertas devido à linhas cruzadas...
Com o "Progresso", os dígitos passaram a três... O lá de casa era 715... Logo acrescentaram-lhe um "3" , então, 3715... depois, 3223.3715, para a inserção no sistema DDD... O que poucos sabem é que o terceiro serviço telefônico automático do país foi instalado exatamente aqui, graças ao empreendendorismo do saudoso empresário Hildebrando Mendes.





E-mail...
Para: "hatour" hatour@bol.com.br
Data: Wed, 20 Feb 2008 02:53:20 -0300Assunto: Re: vários...

Ei Haroldo,
Acabei de visitar seu blog. Fiquei emocionada. Quantas preciosidades da Gazeta do Norte. Que bela homenagem à família do sobrado, principalmente ao nosso saudoso Felisberto. Estou aguardando o material sobre Joaquim Costa e sua Vargem Grande, a histórica Vargem Grande. Onde quando criança, eu fui ver os paraquedistas dando show no céu de Montes Claros. E foi lá que o Grupo de Serestas João Chaves se apresentou para o presidente JK. Foi lá que tantas coisas lindas aconteceram. O lugar mais lindo de Montes Claros, como dizia papai. Sabe que ele sonhou que a prefeitura poderia adquirir, pelo menos uma pequena parte da Vargem Grande para fazer uma espécie de hotel fazenda, com a finalidade de hospedar os visitantes ilustres? Chegou a fazer a proposta ao prefeito Moacir Lopes, que estava morando lá. Mas não houve interesse. E hoje... Em 2004, tive de passar de carro pelo conjunto Joaquim Costa, e levei um susto ao ver a velha sede do sítio ainda em pé. Com aquelas árvores centenárias em volta. E a piscina...cheia de lixo. Por não ter carro e nem saber dirigir, demorei um pouco a voltar lá para bater uma foto. Mas voltei. Que susto. E que dor. Só achei as ruinas. Voltei para casa em prantos.
Virgílio, poucos dias antes de falecer, e já tendo visões, me contou, com toda seriedade, ter ido até a Vargem Grande para uma festa que se chamava "Reencontro". E acrescentou. " Foi uma beleza. A Vargem Grande foi toda recuperada. Eu vi! Estive lá ontem, com Mário, Eduardo, Roberto Luiz..." Só citou os que já tinham falecido. Não contou como se fosse um sonho. Ele estava convencido que era verdade. E talvez tenha sido. Gosto de pensar que sim. Estavam todos reunidos, e ele foi convidado. Isto me fez lembrar que, há algum tempo, muito tempo, estive com sua mãe em sonho. Você me falou sobre ela em seu e-mail, sobre a infecção que a levou, então eu me lembrei. Ela estava numa praia. Não estava só, mas confesso não ter reconhecido as outras pessoas. Ao me ver, falou com alguém assim. " Olha aquela menina de Montes Claros. Amiga de meu filho Haroldo." Eu me aproximei. Ela manifestou vontade de ir para Montes Claros. E eu entendi perfeitamente o que ela queria dizer. Sabia de uma Montes Claros no astral, réplica desta aqui da terceira dimensão, onde muitos montes-clarenses ficavam quando saiam desta vida. Assim, se adaptavam melhor ao novo estilo, encontrando os amigos, ficando num lugar igual ao que moravam antes. Sua mãe não me explicou isso, mas eu sabia, não sei como. E sabia também como ir até lá. Sua mãe não sabia ao certo. Queria ir , mas estava sem saber direito que direção tomar. Então, dei a mão a ela e fomos juntas. Quando chegamos na rua Dr. Veloso, ou talvez tenha sido na Governador Valadares, ela disse que ali estava bom. Nos despedimos numa esquina. A deixei muito feliz, muito sorridente...Eu tenho esse negócio de sonhar com os que foram. Vi Paulinho quase todas as noites durante um bom tempo. Até que ele me disse que isso não seria mais possível, porque ia nascer novamente. E de fato, nunca mais o vi. Mas nunca vi o Luizão, não sei a razão. Nem Ronildo. Mas estive com Aline recentemente, me dizendo que ia cantar não sei bem onde, porque o show não podia parar. A propósito, vi um show de Freddy Mercury também. Cantando exatamente 'Show must go on". Mas de todos, o que mais me impressionou foi com John Lennon. Por duas vezes, sonhei que ele tinha sido assassinado. Bem antes de acontecer. Na véspera, sonhei vendo os Beatles na TV, em todos os canais. Eu fiquei intrigada com isso. Por que estariam mostrando tantos clipes deles, sem parar? No dia seguinte, veio a noticia do assassinato. Na noite do velório, aconteceu o sonho que me impressionou. Encontrei Yoko Ono, andando meio zonza, num nevoeiro. Como geralmente acontece, eu sei exatamente o que tenho de fazer. Perguntei se ela queria ver John. Claro que a resposta foi sim. Mas onde? pois eu sabia onde. E a levei até ele. Estava num lugar muito calmo, sentado num murinho. O que mais me chamou a atenção foi a beleza do lugar, com uma estradinha estreita, ladeada de árvores. Yoko se sentou à sua direita e eu sentei à esquerda. Ficamos de mãos dadas por o que me pareceu ser horas e horas a fio. Até que acordei. Muitos anos depois, vendo o filme Imagine, vi o local do sonho. Era sua residência em Ascot. Lá estava a estradinha ladeada de árvores. Não sou muito de impressionar, mas confesso que fiquei emocionada com isso. Como eu podia saber como era sua casa em Ascot? Nunca tinha visto aquela estrada antes. E existia realmente. Além disso, soube depois que ele havia declarado que seu tempo mais feliz, foi quando morou ali. Nada mais natural ter ido para lá ao morrer. Faz sentido. Mas como eu sabia?
Eu nunca mais sonhei com John. Sonhava muito, quando ele era vivo. Um outro sonho que tive, também me causou emoção. . Ele me deu um par de meias verdes. E me disse que eram meias especiais. Tinham um significado místico. Ele me explicou o que era, mas me esqueci. Ele estava usando um par igual. Calcei as meias e ficamos andando na quinta avenida. Paramos um pouco para conversar com Mick Jagger ( costumo sonhar bem) e acordei. Lembra de um livro que você me emprestou, escrito por Paul McCartney? Pois quando li o livro, para minha surpresa, Paul comentou sobre as meias verdes de John. Disse que houve um tempo, que ele cismou com meias verdes, e que tinham um significado especial. No livro Paul explica qual é o significado. Quando eu li, mal pude acreditar, porque era exatamente a mesma coisa que ele tinha me falado no sonho. Mas me esqueci novamente. Devia ter copiado. Se você ainda tiver o livro, veja se acha essa parte e me conta. :)
Fui visitar Patão e não me deixaram entrar. Disseram que era necessário ter um cartão especial, só conseguido com a família. E não havia ninguém da família por ali. Então telefonei já duas vezes, mas ninguém atendeu. Diga a ele, por favor, que apesar de não ter conseguido entrar, eu estou com ele sempre. Tenho pensando e rezado muito por ele. Rezado do meu jeito. Faço Reiki para ele e também uma terapia havaiana que tenho praticado recentemente. Se souber como eu posso conseguir o tal cartão de visitas, me diga. Vi uma foto de jogadores de futebol no seu blog, com algumas interrogações. Bem, um deles, creio que o terceiro em pé, é meu cunhado Mauro Cardoso. Para mim, aquele ao seu lado é o Diógenes Vasconcelos, mas não tenho certeza.
Amanhá te envio a crônica onde menciono seu nome. No início eu comento sobre o video que Wagner Gomes mandou, dedicado a nós. Mais no final,tem um recado para você. Ou melhor, faço um comentário como se estivesse conversando com você...
Ah...temos de ter muito cuidado para não fazer que nem o Geraldo Freire*. Bem que o entendo. Sei como é dificil, quando vamos ficando mais velhos, aceitar o que a juventude está apreciando. E a tendência é aquela ...Achar que todos são transviados. Sabe que quando eu ouvia o rap, eu pensava que era música de jovens de gangues? E não conseguia ouvir sem tapar os ouvidos. Um dia me peguei falando: " Esse povo de hoje não sabe o que é música." Levei um susto. Eu estava falando que nem os adultos do meu tempo de mocinha, que detestavam o nosso rock. Hoje consigo apreciar alguma coisa. Cheguei a comprar a trilha sonora do filme Preto e Branco. Só rap. Deu para gostar de alguns. É verdade, que a grande maioria do que ouço por aí, não toca o meu coração. Mas pelo menos, eu já não tenho uma reação tão irada como antes. Entendo que é coisa da época, e preciso respeitar. E...agradeço muito pelo que você acrescentou lá no seu blog, a sua preferência. Ficou muito bom, os dois artigos sobre twist, mostrando a diferença de gerações. Ficou muito bom mesmo.
Bom, logo seguirá a crônica.
Um abraço,
Virgínia

*Ver a crônica Nova Dança, de Geraldo Freire, na postagem Let's twist again, artigo de Virgínia de Paula. Neste blog.

Oi querida,

A resposta vai aqui mesmo, via blog, no quente. Mais uma vez obrigado por tudo o que tem feito pelo nosso blog. Também estou gostando das postagens de "coisas e causos" antigos. Seu pai está na mira, será blogado em breve e conto com a sua preciosa ajuda, pois não vai ser fácil, dada a presença do nosso saudoso dr. Hermes em todos os aspectos da vida montesclarense. Ah, hoje é aniversário da morte de papai. Faria 96 anos... How the life goes on...
Abraços